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Título: Protocolo “Boas práticas de manejo de solos para acúmulo de carbono”.
Autor: OLIVEIRA, P. P. A.
BRUNETTI, H. B.
CHAMILETE, S. A. M.
FURTADO, A. J.
BRUNO, J. F.
FONTANA, A.
Afiliación: PATRICIA PERONDI ANCHAO OLIVEIRA, CPPSE; HENRIQUE BAUAB BRUNETTI, FUNDAÇÃO ARTHUR BERNARDES; SOPHIA APARECIDA MORRO CHAMILETE, CONSELHO NACIONAL DE DESENVOLVIMENTO CIENTÍFICO E TECNOLÓGICO; ALTHIERES JOSÉ FURTADO, UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO; JAQUELINE FERNANDES BRUNO, UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO; ADEMIR FONTANA, CNPGC.
Año: 2025
Referencia: In: OLIVEIRA, P. P. A.; NOVO, A. L. M.; BERNDT, A.; NASSU, R. T.; ALVES, T. C. (ed.). Protocolos de boas práticas para a mitigação de gases do efeito estufa em sistemas de produção de bovinos. Brasília, DF: Embrapa, 2025. cap. 3, p. 71-99.
Descripción: Resumo: O carbono (C) presente na atmosfera na forma de CO2 é o principal gás de efeito estufa, sendo um dos responsáveis pelas mudanças climáticas. Por outro lado, este gás pode ser retirado da atmosfera em um processo chamado “sequestro de C” e incorporado no solo de maneira a mitigar o aquecimento global. O sequestro de C no solo ocorre, principalmente, quando resíduos vegetais da parte aérea ou das raízes das plantas, que retiraram CO2 da atmosfera e incorporaram C em sua estrutura por meio da fotossíntese, são depositados no solo e transformam-se em matéria orgânica do solo (MOS). A mudança do uso da terra é a principal causa de variação nos estoques de C do solo, e considera qualquer variação temporal no uso de determinada área, como mudanças de vegetações nativas para pastagens ou culturas agrícolas, mudanças de cultura agrícola ou pastagem para vegetação nativa, ou mudanças de cultura agrícola para pastagem. Vale ressaltar que a erosão causa perda física do solo e da MOS contida nele e, logo, deve ser evitada, sendo as práticas de conservação ações primordiais para preservar o C sequestrado no solo. Adicionalmente, algumas práticas de manejo têm potencial de aumentar o sequestro de C no solo, sendo as principais: • Plantio direto (PD); • Adubação verde (uso de leguminosas); • Uso de sistemas integrados de produção agropecuária; • Recuperação de pastagens degradadas e intensificação do manejo da pastagem; • Irrigação; • Bioinsumos. O plantio direto (PD) consiste em plantar diretamente na palhada da cultura anterior sem o revolvimento do solo por aração e gradagem, como usualmente feito no preparo convencional do solo, podendo contar com auxílio de herbicidas para a dissecação das plantas de cobertura. Essa prática de manejo tem como grande vantagem a não desestruturação de agregados do solo que protegem a MOS de microrganismos e de O2, necessários para sua decomposição. Ao diminuir a decomposição da MOS e, portanto, a emissão de C do solo de volta para atmosfera na forma de CO2, o balanço entre sequestro e emissão de C torna-se mais positivo, aumentando a taxa de sequestro e o estoque de C no solo. De acordo com a literatura consultada nesse trabalho, o plantio direto apresenta taxa de sequestro de C no solo entre 0,185 a 1,15 Mg C ha-1 ano-1. A adubação verde constitui-se no uso de leguminosas em rotação com culturas agrícolas ou em consórcios com gramíneas em pastagens. Favorece o acúmulo de biomassa vegetal (e, portanto, C) por meio do aumento do nitrogênio (N) no sistema via fixação biológica de N. Além disso, tem como efeito ampliar as estirpes de microrganismos do solo aumentando a estabilidade da MOS. Conforme essa revisão de literatura, a adubação verde proporcionou taxa de sequestro de C no solo de 0,61 a 1,53 Mg C ha-1 ano-1. Os sistemas de integrados de produção agropecuários unem diversos sistemas produtivos agrícolas, pecuários ou florestais em uma mesma área de forma consorciada, ou seja, com o cultivo de diferentes espécies vegetais e criação animal ocorrendo de forma concomitante, ou em rotação ou sucessão. Esses sistemas podem ser divididos em integração pecuária-floresta (IPF), integração lavoura-pecuária (ILP) e integração lavoura-pecuária-floresta (ILPF). Quando comparados a sistemas agrícolas sem a presença da forrageira, os sistemas integrados com pecuária se sobressaem no sequestro de C no solo, devido ao sistema vigoroso e fasciculado das gramíneas forrageiras. Além disso, os sistemas ILP servem como alternativa interessante para a recuperação de pastagens degradadas, uma vez que os insumos são aplicados na fase de lavoura e os custos destes são amortizados pelo rápido retorno financeiro da cultura agrícola, ademais, posteriormente, o pasto usufrui do efeito residual dos insumos aplicados. Os sistemas integrados ainda têm melhor ciclagem e disponibilização de nutrientes, além de protegerem os agregados do solo, já que também preconizam o revolvimento mínimo como no PD. Os melhores índices produtivos diminuem a pressão por expansão de novas áreas em locais com vegetação nativa (efeito poupa-terra) e ocorrem quando todos os componentes são considerados. Finalmente, no caso dos sistemas IPF e ILPF, além do sequestro de C pelo solo, há elevado sequestro de C pelo fuste das árvores. De forma geral, os sistemas integrados são eficazes na taxa de sequestro de C no solo em uma taxa de 0,82 a 2,55 Mg C ha-1 ano-1 e, no caso de sequestro de C no fuste de árvores de sistemas de ILPF, a eficácia pode atingir valores de 10,25 Mg C ha-1 ano-1. A recuperação de pastagens degradadas e a intensificação do manejo da pastagem são processos interligados que possuem ações interdependentes no sequestro de C no solo. A recuperação de pastagens degradadas é o ato de tornar pastagens com baixa produtividade vegetal e animal e solos expostos à erosão em pastagens produtivas, por meio da implementação de boas práticas de manejo. A intensificação do manejo da pastagem, por sua vez, constitui-se de práticas que garantem boa produção animal e vegetal de maneira sustentável, com responsabilidade socioeconômica e ambiental. Esse conjunto de práticas, quando associado à implantação de nova espécie forrageira, é denominado renovação da pastagem. Pastagens produtivas, ao contrário das pouco produtivas, e, principalmente, das degradadas, têm alta conversão de CO2 atmosférico em tecido vegetal por unidade de área, sendo este o primeiro passo para o sequestro de C no solo, o que torna a intensificação do manejo de pastagens e recuperação de áreas degradadas, tecnologias com grandes potenciais para o aumento de sequestro de C no solo. A mudança do uso da terra pode ter efeito variado no sequestro de C do solo, a depender das práticas de manejo de pastagens e agrícolas adotadas no novo uso da área. A conversão de áreas de vegetação nativa em pastagens ou culturas agrícolas mal manejadas, têm grande chance de terem efeito negativo no sequestro de C, enquanto pastagens e culturas agrícolas bem manejadas podem ter sequestro de C com taxas superiores às das vegetações nativas. A recuperação de pastagens degradadas, intensificação do manejo da pastagem e mudança do uso da terra têm eficácia de taxa de sequestro de C no solo de 0,28 a 1,01 Mg C ha-1 ano-1, embora alguns autores estimem taxas de sequestro de 2,71 Mg C ha-1 ano-1 para pastagens bem manejadas. Vale ressaltar que pastagens degradadas perdem C do solo e emitem GHG, equivalente em torno de -0,25 Mg C ha-1 ano-1. Já a irrigação, consiste na aplicação de lâminas de água no solo para suprir o déficit hídrico da planta. Esta prática pode resultar em aumento no sequestro de C pela vegetação devido ao maior acúmulo de biomassa vegetal e, consequentemente, aumentar o C no solo. No entanto, a alta umidade do solo pode incrementar a mineralização da MOS em sistemas irrigados, fato agravado quando se incorre em erros de manejo com lotação animal acima da capacidade de suporte da pastagem, onde a taxa de consumo dos animais suplanta a taxa de acúmulo de forragem, ocasionando depleção do resíduo pós pastejo, menores perdas de pastejo e prejuízos ao sistema radicular, prejudicando o sequestro de C, ou em erros de correção e fertilização do solo, com uso de nutrientes menor do que a necessidade de plantas irrigadas, o que prejudica o crescimento da planta forrageira e o acúmulo de forragem, não havendo acúmulo de biomassa, não há aumento da MOS e por consequente C no solo. Ainda que sequestrem menos C que pastagens em sequeiro, sistemas irrigados podem sequestrar 0,02 Mg C ha-1 ano-1. O uso de bioinsumos consiste na aplicação artificial de inoculantes em gramíneas ou leguminosas nas sementes ou via pulverização em sulco e/ou foliar, contendo microrganismos que promovam aumento da fixação biológica de N, de crescimento radicular e de estruturas microbiológicas, processos que potencialmente podem aumentar o sequestro de C no solo. Valores são apontados somente de forma global sendo necessários experimentos com culturas em condições tropicais.
Thesagro: Manejo do Solo
Carbono
Palabras clave: Boas práticas
Selo ODS 13
ISBN: 978-65-5467-131-6
Notas: Selo ODS 13, ODS 13.
Tipo de Material: Parte de livro
Acceso: openAccess
Aparece en las colecciones:Capítulo em livro científico (CPPSE)

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